A biografia de Robert Kubica


É um dos bons pilotos do pelotão da Formula 1. Talentoso e proveniente de uma região rica em automobilismo, mas até há vinte anos muito pouco conhecida aos olhos ocidentais por estar detrás da Cortina de Ferro, Robert Kubica é o expoente de uma nova geração de pilotos que dominam o automobilismo atual e que já conseguiram títulos, como Lewis Hamilton e Sebastien Vettel. A Kubica ainda lhe faltava a chance de estar numa máquina vencedora para demonstrar o seu talento na sua plenitude, mas os acontecimentos de ontem no norte de Itália lançaram uma enorme sombra no seu futuro como piloto, do qual só o tempo dirá se é recuperável ou não. Contudo, este é o mais recente capitulo de uma carreira recheada de sucessos de um talento que muitos entendem merecer um título mundial.

Nascido a 7 de Dezembro de 1984 na cidade polaca de Cracóvia, o interesse de Robert Kubica pelo automobilismo começou aos quatro anos quando viu um pequeno carro movido com um motor de quatro cavalos. Depois de algumas conversas com o seu pai, este conseguiu oferecer o carro. À medida que crescia, este lhe ofereceu um go-kart, mas não pode competir a sério até aos dez anos, pois os regulamentos na altura na Polónia não permitiam que um jovem como esse pudesse competir. Quando alcançou essa idade, no final de 1994, entrou em competição e conseguiu seis títulos nacionais em apenas três temporadas.

Quatro anos depois, em 1998, decidiu alargar os seus horizontes e mudar-se para Itália. A mudança valeu a pena: nesse ano torna-se no primeiro estrangeiro a ser campeão júnior nesse pais. Tornou-se também vice-campeão da Europa em juniores e venceu o Grande Prémio do Mónaco em karting. No ano seguinte, defendeu ambos os títulos e competiu nos campeonatos da Europa e do Mundo de Karting, bem como deu uma “perninha” no campeonato alemão da modalidade. Em 2000, participou de novo no Europeu e no Mundial de Karting, acabando em ambas as ocasiões no quarto lugar.

Em 2001 profissionalizou-se e deu o salto para os monolugares. Foi para a Formula Renault, onde foi piloto da equipa RC Sport em dois campeonatos, o italiano e o Europeu. Depois de alguns bons resultados, em 2002 foi mais competitivo e acabou no segundo lugar no campeonato italiano. No final do ano, deu uma perninha no Brasil, onde competiu numa jornada da Formula Renault em Interlagos, vencendo a corrida.

Em 2003 dá o salto para a Formula 3 Euroseries, onde é contratado pela Prema Powerteam, mas falha o inicio da época quando sofre um acidente de carro, em que seguia como passageiro. Kubica partiu o braço, tendo levado dezoito parafusos de titânio para reduzir as fraturas. Contudo, ficou curado o suficiente para fazer a sua estreia em Norisring, a quarta prova do ano. Com o braço protegido, surpreendeu tudo e todos ao vencer a sua primeira corrida na categoria e é segundo na segunda corrida, num pelotão muito competitivo. No final do ano, é 12ª no campeonato, e volta a fazer nova época em 2004, onde consegue três pódios e o sétimo posto na classificação.

Apesar destes resultados modestos, Kubica passou em 2005 para a World Series by Renault, na equipa da Épsilon Euskadi. O piloto polaco teve uma temporada forte: venceu na sua segunda corrida, em Zolder, depois conseguiu vitórias no circuito urbano de Bilbau, uma vitória dupla em Oscherschleben, conseguindo 154 pontos e a vitória na competição.

Essa vitória resultou num teste no Renault de Formula 1, que foi feito no inicio de 2006. Contudo, a Renault não aproveitou esse talento e a BMW aproveitou, contratando-o como terceiro piloto, ao lado do alemão Nick Heidfeld e do canadiano Jacques Villeneuve, na equipa Sauber, que a marca bávara tinha adquirido no final do ano anterior. Kubica podia testar nas sextas-feiras das corridas e as suas performances tinham impressionado o diretor da BMW, Mário Thiessen, que lhe prometeu um lugar na equipa na temporada seguinte. Mas a meio do ano, um desmotivado Jacques Villeneuve decidiu sair da equipa após o GP da Alemanha, alegando que não se sentia bem após um acidente em Hockenheim, e a BMW Sauber, e Thiessen não hesitou vem promover Kubica, que assim se tornava no primeiro piloto polaco na história da Formula 1.

A estreia foi no Hungaroring e nos treinos, surpreendeu tudo e todos ao se qualificar na nova posição, batendo o seu companheiro mais experiente, Nick Heidfeld. Na corrida, foi consistente o suficidente para levar o carro até ao sétimo lugar final, conseguindo dois pontos. Mas após a corrida, os comissários descobriram que o seu carro estava abaixo do peso e o desclassificaram. Contudo, o brilhantismo demonstrado na corrida de estreia não ficara muito beliscado.

Na corrida seguinte, em Istambul, o resultado foi mais modesto – terminou no 13º posto – mas em Monza demonstrou que era um piloto a ter em conta. Com o lugar de terceiro piloto a ser preenchido com um rapaz de 19 anos chamado… Sebastian Vettel, Kubica brilha na qualificação ao conseguir o sexto tempo, e na corrida, consegue ser consistente e terminar no terceiro lugar, apenas atrás de Michael Schumacher – que nessa corrida anunciaria a sua retirada – e do finlandês Kimi Raikonnen. Se duvidas existia em relação à rapidez de Kubica, tinham ficado desfeitas com esta demonstração. No final da temporada, os seis pontos do terceiro lugar tinham-lhe dado o 16ª posto do campeonato.

Em 2007, a BMW Sauber estava a desenvolver o seu carro e Kubica teve resultados mais consistentes. Um quarto lugar em Espanha tinha sido o melhor resultado até então, mas a 10 de Junho de 2007, no circuito Gilles Villeneuve, no Canadá, Kubica passa por outro momento difícil. Na volta 27, após o recomeço da corrida, Kubica tentava passar pelo Toyota de Jarno Trulli quando na aproximação da curva do Casino, tocou no carro do italiano e foi catapultado contra o muro de protecção, batendo com estrondo a 300 km/hora com uma força de 70 G’s e desfazendo o seu carro contra o muro. A corrida fora novamente interrompida e o polaco levado para o hospital, onde após exames médicos, verificou-se que só tinha concussões e um tornozelo magoado. Kubica via, às suas custas, até que ponto os carros de Formula 1 eram tremendamente seguros.

Após dois dias, Kubica teve alta do hospital, mas por precaução, os médicos da FIA não o autorizaram a correr a prova seguinte, em Indianápolis, e assim a BMW Sauber recorreram ao seu terceiro piloto, dando a primeira chance de correr ao alemão Sebastian Vettel. Regressado ao carro em França, foi de novo quarto em Magny Cours e Silverstone, e continuando a chegar regularmente nos pontos, terminando com 39 deles e no sexto posto na classificação geral.

Em 2008, a BMW Sauber prometia ter um carro capaz e lutar pelas vitórias e pelo titulo de Construtores, e Kubica aproveitou ao máximo o carro. Foi segundo na Malásia e conseguiu uma pole-position na prova seguinte, no Bahrein, prova onde terminou no terceiro posto. Depois de mais dois quartos lugares Na Espanha e na Turquia, consegue novo segundo lugar no Mónaco.

E depois veio o Canadá. Um ano depois do seu pavoroso acidente, Kubica queria provar que aquilo tinham sido águas passadas e na qualificação, conseguiu o segundo tempo, apenas atrás de Lewis Hamilton. Na prova, Kubica estava atrás do piloto britânico quando na volta 16, o Force Índia de Adrian Sutil ficou parado numa zona perigosa. O safety Car teve de ser colocado em pista e os pilotos da frente aproveitaram para fazer a troca de pneus. Contudo, Lewis Hamilton não vira que as luzes de saída das boxes estavam vermelhas e o Ferrari de Kimi Raikonnen estava parado à sua frente, e bateu com força na traseira do carro do finlandês. Nico Rosberg também ficaram envolvido no acidente, e isto foi bem aproveitado por Kubica, que quando foi a altura, ficou com a liderança da corrida até ao final. A sua primeira vitória, um ano depois do seu pavoroso acidente, parecia ser um final de sonho para ele. E ainda por cima, com Heidfeld a conseguir o segundo posto, a BMW Sauber alcançava uma inédita dobradinha na sua história. E ainda mais, após o final dessa corrida, Kubica era o líder do campeonato com 42 pontos, mais quatro do que Felipe Massa e Lewis Hamilton.

Contudo, sabia-se que o chassis da BMW Sauber não era tão bom como os chassis da Ferrari e da McLaren, e as suas hipóteses de título eram diminutas. Contudo, lutou até ao fim pelo campeonato, como demonstram os três pódios que teve em Valência (3º), Monza (3º) e Suzuka (2º). No final do ano, Kubica conseguira 75 pontos e a melhor classificação de sempre, o quarto lugar.

As performances de 2008 tinham dado esperanças de que em 2009 teriam um chassis capaz se intrometer com Ferrari e McLaren na luta pelo título, mas o que aconteceu fora o inverso. Ross Brawn fazia um chassis arrebatador e Adrian Newey acertava o passo com o seu Red Bull, e a Formula 1 estava a viver uma situação invertida. E a BMW Sauber estava do lado dos derrotados. Para Kubica, iria ser um campeonato frustrante, empalidecendo um pouco a sua estrela. Para piorar as coisas, a BMW decidira em Setembro que iria embora da competição, pedindo a Peter Sauber para que voltasse a tomar conta da sua equipa. O único momento de alegria do polaco tinha sido o segundo lugar no GP do Brasil, acabando o ano com 17 pontos e o 14º lugar no campeonato.

Com os lugares nas equipas da frente fechadas, Kubica tentou encontrar o melhor lugar possível numa equipa do meio do pelotão. E isso surgiu com a Renault, a equipa onde tinha experimentado um Formula 1 pela primeira vez. No rescaldo do “Crashgate” e onde Flávio Briatore e Pat Symmonds tinham sido despedidos da equipa, Kubia iria encontrar uma situação onde a marca tinha desinvestido nela e o segundo piloto teve de entrar com dinheiro para completar o orçamento. Mas mesmo simbolicamente, a Renault tinha uma palavra a dizer e queria dar um ar da sua graça.

E a temporada de 2010, demonstrou que estava de volta à sua antiga forma. Logo na sua segunda corrida do ano, na Austrália, conseguira o seu primeiro pódio do ano, com um segundo lugar, e iria repetir isso por mais duas vezes, no Mónaco e na Bélgica. Ainda conseguiria uma volta mais rápida no Canadá e a sua regularidade em corrida colocava-o muitas vezes no quarto, quinto ou sexto posto, acima dos Mercedes e do segundo Ferrari de Felipe Massa, somente batido pelos Red Bull, pelos McLaren e pelo Ferrari de Fernando Alonso. No final do ano, agora com o novo sistema de pontuação, Kubica conseguira 136 pontos e o oitavo lugar da classificação, bem acima do que muitos vaticinavam.

Confiantes, a Renault, agora controlada pela Genii Capital e tendo como patrocinadora a Lótus Cars, desenhara o R31 contando com a capacidade de condução e os conhecimentos de Kubica. Mesmo com a confusão à volta da propriedade do nome, e do qual Kubica acabou por dar o seu ar de graça “A Lotus é uma patrocinadora. Se me perguntarem se corro por ela, direi que também corro pela Total”, estavam confiantes das capacidades de Kubica, que o consideravam um bom trunfo. Até ontem.

Imagens: Arquivo Cahier, Google Images, Flickr


2 comentários
  1. wagner vieira alves says:

    Kubica possui todos os requisitos de um campeão, basta a sorte dar uma mãozinha!

  2. sofia coutinho says:

    Vai ficar bom depressa, tem muito talento e uma concentração fora de série

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