As corridas do passado: Grã-Bretanha 1979

Quinze dias depois de Dijon, num Grande Prémio histórico, em todos os sentidos, ainda se discutia o final dessa corrida em Silverstone, palco do Grande Prémio britânico. Se os espectadores presentes na pista e na televisão tinham delirado com o duelo final entre Gilles Villeneuve e René Arnoux, os elementos do GPDA, como Niki Lauda, Jody Scheckter e Emerson Fittipaldi não acharam piada nenhuma. Assim sendo, chamaram-nos para uma reunião no sentido de “puxar as orelhas” dos pilotos. Só que a reacção deles tinha sido, no minimo, de desprezo…
No pelotão, havia algumas alterações e novidades em termos de chassis. A Williams apresentava algumas alterações aerodinâmicas no FW07, a McLaren apresentava o modelo M28, para John Watson, que se esperava ser uma evolução, para melhor, do problemático M26, enquanto que a Alfa Romeo, que estava na sua temporada de regresso, decidira ausentar-se da prova britânica, para começar a construir o seu novo modelo 179. A Wolf também apresentava em Silverstone o novo modelo WR9, no qual iriam correr no resto da época, e esperavam melhorar as suas performances, que até então tinham sido medíocres, com o finlandês Keke Rosberg ao volante, que dois meses antes tinha substituido James Hunt, que desmotivado, tinha anunciado a sua retirada.
A Alfa Romeo estava ausente, e assim sendo, os inscritos estavam reduzidos a 26, mas apenas 24 é que se qualificariam para a corrida de… Sábado. O melhor nos treinos foi Alan Jones, que não só conseguia a sua primeira pole-position da sua carreira, mas também a primeira da Williams. Ao seu lado tinha o recente vencedor do GP de França, Jean-Pierre Jabouille, batido por 0,6 segundos. No terceiro lugar estava o Brabham Alfa-Romeo de Nelson Piquet, que tinha conseguido bater o segundo Williams de Clay Regazzoni. Na terceira fila estava René Arnoux, no segundo Renault, que tinha a seu lado o segundo Brabham de Niki Lauda. Após ele vinha o McLaren de John Watson, os Lotus de Carlos Reutemann e Mário Andretti e para fechar o “top ten”, o Ligier-Cosworth de Jacques Laffite.
Jody Scheckter e Gilles Villeneuve, os pilotos da dominante Ferrari, eram apenas 11º e 13º da grelha, lutando contra o mau chassis que era em pistas velozes, e entre eles estava o Shadow do jovem Elio de Angelis. Keke Rosberg, no seu Wolf, era 14º, e Emerson Fittipaldi, no seu Copersucar, era 22º e o antepenultimo a conseguir a qualificação, batendo apenas o Ensign de Patrick Gaillard e o Lotus privado do mexicano Hector Rebaque. O alemão Hans Stuck, em ATS, e o carro de Arturo Merzário foram os que ficaram com a fava, ao não conseguirem qualificar.
A corrida arranca com Jones na frente, seguido de Jabouille, Regazzoni e Piquet. O brasileiro tentou acompanhá-los, mas despistou-se no final da primeira volta. Lauda ficou com o quarto lugar, seguido de Arnoux e… Villeneuve. Numa das suas imensas partidas-canhão típicas do rápido canadiano, tinha conseguido chegar à zona dos pontos. Pouco depois, Lauda atrasa-se e Arnoux sobe para quarto.
Na volta 17, Jabouille tem de ir às boxes devido ao desgaste prematuro dos pneus, fazendo com que Regazzoni ficasse com o segundo posto. Jabouille voltou á pista, mas poucas voltas depois, o seu motor sobreaqueceu e explodiu. Após isso, tudo indicava que a Williams ia a caminho de uma tarde de sonho, com uma vitória de Jones e dobradinha para os carros de Frank Williams. Contudo, à volta 38, o motor Cosworth sobreaqueceu e o australiano desistiu, entregando a liderança ao veterano piloto suíço. Arnoux subia ao segundo posto e Villeneuve ao terceiro. Contudo, mais atrás vinha o Tyrrell de Jean-Pierre Jarier, que fazia uma corrida de trás para a frente, e já tinha chegado à zona dos pontos, depois de ultrapassar o McLaren de Watson. Na volta 44, Laffite desiste, e poucas voltas depois é a vez de Villeneuve, fazendo com que o francês da Tyrrell ficasse com o lugar mais baixo do pódio.
Quando a bandeira xadrez caiu, na volta 70, Regazzoni dava à Williams uma vitória que Frank Williams seguia há quase dez anos, altura da sua entrada na Formula 1. E para Clay Regazzoni, então com 39 anos, era a sua primeira vitória em quatro temporadas, a primeira desde que tinha saído da Ferrari. Depois do trio Regazzoni-Arnoux-Jarier, os restantes lugares pontuáveis ficaram para o McLaren de Watson, o Ferrari de Scheckter e o Ligier do belga Jacky Ickx, no seu regresso à Formula 1. Ele que substituira dois meses antes o francês Patrick Depailler, lesionado gravemente num acidente de asa delta no centro de França.
Imagens: Sutton Images,Wikimedia Commons,

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