Coluna Pisando Fundo: O papel de Barrichello na virada da IndyCar

Rubens Barrichello ressurge das cinzas mais uma vez (Foto: Divulgação)
Na próxima semana, Rubens Barrichello voltará a testar o carro da Indy, e é provável que na próxima edição desta coluna, ele já tenha sido anunciado como piloto da KV para a temporada de 2012, ao lado de Tony Kanaan e de Ernesto Viso – um time completamente sul-americano. Uma negociação que será boa não só para Rubens, que se manterá em atividade, ou para a KV, que ganhará um piloto de primeira linha com 19 temporadas de experiência na Fórmula 1, mas para a Fórmula Indy tentar dar a sua volta por cima.
Quando houve a fusão da Indy Racing League (IRL) com a moribunda Champ Car, em 2007, tudo indicava que o certame só tinha como crescer. Contudo, o que se viu foi exatamente o contrário. A categoria entrou em uma descendente que chegou ao seu ponto mais baixo no dia 16 de outubro de 2010.
Foram decisões erradas do ex-diretor de prova, Brian Barnhardt, novidades que não deram certo, carros ultrapassados – o chassi era o mesmo desde 2003 – pilotos de qualidade questionável, a passagem gradativa dos ovais para os circuitos de rua – em alguns casos, ruins ou com defeitos de estrutura.
Agora, com um novo ano prestes a começar, a IndyCar tem tudo para dar a volta por cima. O chassi DW12 anima a todos, bonito e moderno. A mudança no regulamento de motores, também, com a disputa deixando de ser monomarca (Honda) e passando a contar com três fabricantes (Honda, Chevrolet e Lotus) e propulsores turbo. Para equipes e pilotos, tudo começará do zero, o que deve levar ao fim da hegemonia de Penske e Ganassi – não quer dizer que estas não possam disputar os títulos, somente não devem dominar o campeonato.
Qual a participação de Rubens Barrichello nessa história toda?
A extinta CART pretendia, nos anos 90, fazer frente à Fórmula 1. Ser uma categoria mundial, com carros, equipes e pilotos de ponta, realizando provas por todo o planeta. Nigel Mansell deixou a F1 para ser campeão na América. Nelson Piquet e Ayrton Senna foram outros nomes de peso que cogitaram seguir este caminho. Só que o racha de 1996 impediu que as ambições maiores fossem alcançadas, e dois campeonatos de dimensões nacionais foram criados – a Champ Car e a IRL.
Não é preciso pensar muito para concluir-se que, tecnicamente, Rubens Barrichello está bem acima dos melhores pilotos da IndyCar (Will Power, Dario Franchitti, Tony Kanaan, Helio Castroneves e cia.). Com todos começando do zero, e com a predominância de circuitos mistos no calendário, eu não hesitaria em apostar nele.

Em Sebring, o brasileiro atraiu os olhares durante os testes coletivos (Foto: Divulgação)
Também não é preciso que Rubens Barrichello seja campeão para que o interesse da IndyCar nele torne-se uma realidade. Boas provas e vitórias bastarão. Neste momento, o sonho de Randy Bernard (presidente da Indy) é que a ida do mais experiente piloto da história da F1 faça os pilotos que competem na Europa abrirem novamente os olhos para os EUA e para a Indy.
Em um tempo em que mesmo na Fórmula 1 o dinheiro conta mais do que o talento do piloto, gente mais experiente acaba ficando desempregada e é forçada a procurar alternativas. Barrichello pode levar mais gente para a Indy, afinal, seu nome pesa. Jarno Trulli, recém-demitido da Caterham, é outro que pode tomar o mesmo caminho.
Se Randy Barnard sonha, acho que eu também posso sonhar com um grid que tenha Barrichello, Power, Trulli, Franchitti, Fisichella, Kanaan, Sutil, Bourdais, Webber, Massa… um pouco da nostalgia dos anos 90 voltaria. (V)
Renan do Couto é editor-chefe do Podium GP desde a sua criação, em janeiro de 2011, acompanha o que acontece no kartismo nacional e internacional para o Allkart.net, estuda jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e, quando sobra tempo, atualiza o seu blog, o Por Fora dos Boxes.

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